Eu costumava aprontar bastante quando era criança. Filha única, mas com pais trabalhando o dia todo, era minha forma de chamar atenção.
Minha avó ficava mais comigo. Ela tinha um problema nas pernas e quadris, então ficava sempre em casa, com seu andador. Era muito difícil para ela me controlar, uma criança hiperativa. Então ela dizia: “Se não parar de fazer isso e aquilo, vou chamar o Babau, hein?”.
O Babau da minha avó, que poluía meus sonhos de criança, era o famoso homem do saco. Mas que diabos, assustar uma criança assim! Ficava imaginando o que o Babau faria se me enfiasse no saco. Se eu passaria calor. Se eu passaria fome. Se ele seria mau. Se ele me venderia para o circo. Se ele faria sabão comigo. Não sei.
Fato é que essa história toda de Babau me deixou um tanto traumatizada. Não posso ver um homem barbudo e com um saco nas costas que mudo de calçada. Vai que eu vire sabão.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Se cuidar
Há alguns dias descobri o quanto é gostoso usar creme hidratante. É como colocar cobertura de chocolate no bolo quente.
Nuvens
Se tem uma coisa que adoro fazer é formar figuras nas nuvens. Não tem umazinha sequer que passe sem ser uma tartaruga, uma criança ou até um boto perseguindo bolhas no mar.
As nuvens mostram como as coisas do mundo são efêmeras. Bastam menos de dez segundos olhando as formas e elas se vão, como fumaça.
As nuvens mostram como as coisas do mundo são efêmeras. Bastam menos de dez segundos olhando as formas e elas se vão, como fumaça.
Coisas com caras
Todas as coisas tem cara.
A comida no prato tem cara, formada por duas azeitonas e uma vagem sorridente. O muro da casa do outro lado da avenida tem cara, com dois olhos de janelas azuis e uma boca de porta laranja. A plantinha da minha mesa tem cara, com dois buraquinhos no vaso e sua vasta cabeleira.
É bom. Para todo lugar que olho tem alguma coisa sorrindo pra mim. Pelo menos na maioria das vezes.
A comida no prato tem cara, formada por duas azeitonas e uma vagem sorridente. O muro da casa do outro lado da avenida tem cara, com dois olhos de janelas azuis e uma boca de porta laranja. A plantinha da minha mesa tem cara, com dois buraquinhos no vaso e sua vasta cabeleira.
É bom. Para todo lugar que olho tem alguma coisa sorrindo pra mim. Pelo menos na maioria das vezes.
Minha infância – Dando nome às galinhas
Hoje fui almoçar com um amigão de infância, e que agora também mora na capitá. Demos muitas risadas, como sempre, e me lembrei de uma coisa muito engraçada: Eu tinha muitos bichos na casa da minha avó, incluindo galinhas, que meu amigo e eu brincávamos.
Todas elas tinham nome e algumas até sobrenome. Os nomes que eu me lembro eram: Laura (uma galinha preta com um tumor no traseiro), Pescoço Pelado (por que será?), as irmãs Giovana, Ana Cláudia, Ana Paula, Rúbia e Cristiane (em homenagem às amigas inseparáveis) e Luis Gustavo, um lindo galo índio que tinha que dormir no pé de caqui porque as galinhas batiam nele.
Pois bem, meu amigo e eu achamos um belo dia a caixa de esmaltes da minha avó e a levamos para o quintal. Pintamos as unhas das galinhas de vermelho e rosa, puro luxo.
As coitadas passaram a tarde toda a bicar os pés umas das outras. Mas ficaram chiquetérrimas.
Todas elas tinham nome e algumas até sobrenome. Os nomes que eu me lembro eram: Laura (uma galinha preta com um tumor no traseiro), Pescoço Pelado (por que será?), as irmãs Giovana, Ana Cláudia, Ana Paula, Rúbia e Cristiane (em homenagem às amigas inseparáveis) e Luis Gustavo, um lindo galo índio que tinha que dormir no pé de caqui porque as galinhas batiam nele.
Pois bem, meu amigo e eu achamos um belo dia a caixa de esmaltes da minha avó e a levamos para o quintal. Pintamos as unhas das galinhas de vermelho e rosa, puro luxo.
As coitadas passaram a tarde toda a bicar os pés umas das outras. Mas ficaram chiquetérrimas.
Minha infância – Carinho de mãe
Minha mãe nunca foi carinhosa. Ela era preocupada e ao mesmo tempo neutra. Era uma forma estranha de amar, confesso.
Por exemplo, quando ela queria brincar comigo, ela colocava um travesseiro na minha cara e falava: “Vou matar! Vou matar!”. E eu morria mesmo, de rir.
Por exemplo, quando ela queria brincar comigo, ela colocava um travesseiro na minha cara e falava: “Vou matar! Vou matar!”. E eu morria mesmo, de rir.
Minha infância – Bendito fluor
Quando era criança (lê-se até os 18 anos, enquanto morava com meus pais), minha mãe fazia a mesma cantilena todos os dias. Parava no batente da porta do quarto, apontava a mão para o interruptor e começava: “Tomou banho? Trocou de roupa? Tomou leite? Fez xixi? Escovou os dentes? Tomou fluor? Então agora vê se reza”. Era isso todos os dias, sem erro. Até hoje sei essa ladaínha de cor, que mais parecia uma música mesmo. Tinha até ritmo.
Quando eu tinha muita preguiça de escovar os dentes, eu mentia que já tinha escovado na casa da minha avó. Mas em seguida, me sentindo mal por mentir, essa doce ingenuidade se levantava, falando para a mãe que tinha se esquecido que quando chegara em casa tinha comido uma bolacha.
Bons tempos.
Quando eu tinha muita preguiça de escovar os dentes, eu mentia que já tinha escovado na casa da minha avó. Mas em seguida, me sentindo mal por mentir, essa doce ingenuidade se levantava, falando para a mãe que tinha se esquecido que quando chegara em casa tinha comido uma bolacha.
Bons tempos.
Minha infância – Amor aos bichos
Ontem fui a uma apresentação de Natura Ekos e simplesmente fiquei encantada. Esse lance “da moda”, sustentabilidade, eles realmente levam a sério.
Lá me recordei de uma coisa que fazia quando pequena. Por verdadeiro amor aos bichos e plantas, eu dava aulinhas de ecologia, assim chamava. Na verdade, eu comprava aquelas revistas sobre ecologia e depois repassava para meus amigos, numa lousinha.
Uma coisa muito engraçada que me lembrei, foi que vi uma vez na revista, um passarinho muito lindo com os dizeres: “Essa ave tem muitas cores e blá blá blá”. Como a parte que dizia o nome do pássaro estava cortada, fui perguntar para o meu pai, que era ( e ainda é) o meu guru: “Pai, que bicho que pode ter muitas cores?” E meu pai, sem saber que me referia a uma ave ou poderia falar qualquer coisa que fosse colorida, menos um arco-iris por causa da restrição animal: “Um camaleão”.
Pronto! Soltei isso na aula: “Estão vendo esse passarinho aqui? É um camaleão!”
Não sei porque não virei veterinária ou ecologista. Sério.
Lá me recordei de uma coisa que fazia quando pequena. Por verdadeiro amor aos bichos e plantas, eu dava aulinhas de ecologia, assim chamava. Na verdade, eu comprava aquelas revistas sobre ecologia e depois repassava para meus amigos, numa lousinha.
Uma coisa muito engraçada que me lembrei, foi que vi uma vez na revista, um passarinho muito lindo com os dizeres: “Essa ave tem muitas cores e blá blá blá”. Como a parte que dizia o nome do pássaro estava cortada, fui perguntar para o meu pai, que era ( e ainda é) o meu guru: “Pai, que bicho que pode ter muitas cores?” E meu pai, sem saber que me referia a uma ave ou poderia falar qualquer coisa que fosse colorida, menos um arco-iris por causa da restrição animal: “Um camaleão”.
Pronto! Soltei isso na aula: “Estão vendo esse passarinho aqui? É um camaleão!”
Não sei porque não virei veterinária ou ecologista. Sério.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Offline
Hoje acabou a força aqui no trabalho. E fiquei muito surpresa. As pessoas ficam totalmente perdidas. E não por causa da luz, porque era bem cedo. Era por causa da internet.
Afinal, como descobrir o mundo sem o Google?
Que coisa mais triste.
Afinal, como descobrir o mundo sem o Google?
Que coisa mais triste.
Carta a um poeta
Li no blog da minha amiga, não sei quem escreveu, mas acho que é isso. Isso que importa.
;relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza — relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações?
;relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza — relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações?
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