Namorar, para seguir de mãos dadas e projetar no futuro o presente.
Para se sentir acompanhada mesmo quando o outro está ausente.
Para encontrar no amor sua casa.
Para ter em si o aconchego que é estar tão na-morada.
Namorar, para desenhar sentido na rotina e descobrir no verso seu inverso ou sua rima.
(Marla de Queiroz)
domingo, 13 de junho de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
Delicadeza de Louise Bourgeois
Trechos que amei do livro Louise Bourgeois – destruição do pai, reconstrução do pai (tirados do blog da Cosac Naify):
“Meu trabalho inicial é o medo de cair. Depois se tornou a arte de cair. Como cair sem se machucar. Mais tarde é a arte de se manter no ar.”
*
“Quando eu estava crescendo, todas as mulheres em minha casa usavam agulhas. Sempre tive fascínio pela agulha, o poder mágico da agulha. A agulha é usada para consertar os danos. É um pedido de perdão. Nunca é agressiva, não é uma ponta perfurante.”
*
“A espiral é uma tentativa de controlar o caos. Tem duas direções. Onde você se coloca, na periferia ou no vórtice? Começar pelo lado externo é o medo de perder o controle; as voltas são um aperto, um recuo, uma compactação até o ponto de desaparecimento. Começar pelo centro é afirmação, o movimento para fora é a representação de dar, de abandonar o controle; de confiança, de energia positiva, a própria vida.”
*
“Eu preciso de minhas memórias. Elas são meus documentos. Eu as vigio. São minha privacidade e tenho um ciúme intenso delas. [...] Lembrar-se e devanear é negativo. É preciso diferenciar entre as lembranças. Você vai na direção delas ou elas vêm em sua direção? Se vai a elas, está perdendo tempo. A saudade não é produtiva. Se elas vêm a você, são as sementes da escultura.”
*
“Minha mãe ficava sentada ao sol e consertava uma tapeçaria ou bordava. Realmente adorava isso. O sentido de restauração me é muito caro.”
“Meu trabalho inicial é o medo de cair. Depois se tornou a arte de cair. Como cair sem se machucar. Mais tarde é a arte de se manter no ar.”
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“Quando eu estava crescendo, todas as mulheres em minha casa usavam agulhas. Sempre tive fascínio pela agulha, o poder mágico da agulha. A agulha é usada para consertar os danos. É um pedido de perdão. Nunca é agressiva, não é uma ponta perfurante.”
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“A espiral é uma tentativa de controlar o caos. Tem duas direções. Onde você se coloca, na periferia ou no vórtice? Começar pelo lado externo é o medo de perder o controle; as voltas são um aperto, um recuo, uma compactação até o ponto de desaparecimento. Começar pelo centro é afirmação, o movimento para fora é a representação de dar, de abandonar o controle; de confiança, de energia positiva, a própria vida.”
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“Eu preciso de minhas memórias. Elas são meus documentos. Eu as vigio. São minha privacidade e tenho um ciúme intenso delas. [...] Lembrar-se e devanear é negativo. É preciso diferenciar entre as lembranças. Você vai na direção delas ou elas vêm em sua direção? Se vai a elas, está perdendo tempo. A saudade não é produtiva. Se elas vêm a você, são as sementes da escultura.”
*
“Minha mãe ficava sentada ao sol e consertava uma tapeçaria ou bordava. Realmente adorava isso. O sentido de restauração me é muito caro.”
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Estou cansado, é claro
Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo…
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
Álvaro de Campos (FP)
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo…
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
Álvaro de Campos (FP)
quinta-feira, 6 de maio de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
Clarice
"Pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
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